• Rumo a Machu Picchu – Dia 2

    Olá a todos,

    O dia começou com o despertar às 05 da manhã, isto depois da primeira noite passada em acampamento em pleno vale nos Andes no caminho Inca, a 3200m de altura.

    Confesso que os nossos sacos cama não eram propriamente preparados para a fria e húmida noite, mas ao fim de algum tempo lá conseguimos aquecer e dormir bem. Acordámos com chá de folhas de coca na entrada da tenda, bem quentinho, com os porters a abanar a tenda suavemente como quem diz, levantem a bunda que nós já cá estamos a fazer o vosso pequeno almoço há 1 hora!!

    Seguiu-se o arranque para o difícil trekking do dia, com 2h em pura subida, extremamente inclinada só assim para abrir a pestana… O caminho era muito duro, com inclinações terríveis e toneladas de escadas irregulares dado serem feitas com milhares de pedras da montanha.

    20150316 - Inka Trek dia 23

    Como estávamos frescos pois tínhamos acabado de acordar e o sol ainda não ia alto, esta parte correu relativamente bem e rápido, mas quando há uma subida assim, é impossível não parar para descansar, respirar e beber água a cada 10 minutos.

    20150316 - Inka Trek dia 2

    A esta altitude o nosso corpo não dá o mesmo, não consegue… Começámos nos 3300m, e rumámos aos 4200m em mais 2 horas seguidas a subir depois de uma pausa para descansar num maravilhoso vale. Desta feita, continuámos em terreno mais aberto, mas sempre sempre a subir.

    20150316 - Inka Trek dia 21

    Ao chegarmos, já praticamente a parar de 5 em 5 minutos sempre por uns segundos e depois de 2 benurons no bucho, foi uma fantástica sensação!!! Estávamos a 4200m, na Dead Womans Path! Agarrei-me à mulher, e assim ficámos uns minutos a respirar fundo, contentes com o que tínhamos alcançado juntos.

    20150316 - Inka Trek dia 22

    No entanto, não pensem que estávamos perto do fim… na verdade ainda nem tínhamos chegado ao acampamento do almoço!!! Para isso, tivemos de começar a descer, mas do outro lado da montanha a temperatura era bem mais fria. Equipámo-nos o melhor que conseguimos, e descemos, mas 30 minutos depois começa a chover muito! Neste trekking a chuva não nos impede de continuar, e de ridículos ponchos vestidos (aqueles de plástico cheios de cores), descemos escadas atrás de escadas, super inclinadas e muito escorregadias…. pedra após pedra, ou seja, a descida foi muito muito lenta, e durou mais 2 horas! Chegados ao acampamento pela hora do almoço, já com 6 horas nas pernas e uma boa chuvada em cima de nós.

    Almoçámos bem, estávamos a aguentar e sabíamos que aquele seria o dia difícil, como tal prepáramo-nos para as próximas 3 horas de caminhada com mais cházinho de coca, até ao destino final, o acampamento “5”. Foram então mais 1h30 a subir e 1h30 a descer naquele que teria sido até hoje o mais bonito caminho, pois a vista era simplesmente fenomenal e o tempo ajudou muito, sem chuva e até com sol de vez em quando. No Trilho Inca original, descemos mais uns bons 300 metros de altura e voltámos a subir outros tantos, até à descida final onde chegamos já eram umas 17:30, muito perto do pôr-do-sol.

    O acampamento estava situado num local brutalíssimo, rodeado de montanhas, no vale e em cima de um fantástico planalto que é por si só um acampamento natural, e de noite, com o céu limpo, as estrelas estavam incríveis.

    20150316 - Inka Trek dia 24

    Jantámos mais uma bela refeição preparada pelo grande chefe Leonardo e fomos dormir. O dia tinha sido de longe o mais difícil de todo o trekking, mas foi ultrapassado com sucesso, suor e claro muitas dores de cabeça…!

    Até amanhã!
    Bjs e abraços,
    Luís M.

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  • Rumo a Machu Picchu – Dia 1

    Olá a todos,

    Eram 04:30 em ponto quando a carrinha da “Alpaca Expeditions” nos foi buscar ao hotel. A essa hora tínhamos tudo pronto na nossa mochila do dia, assim como nos sacos que nos tinham entregue no dia anterior para colocarmos em cada um 7kg para os próximos 4 dias. Estes sacos seriam depois carregados pelos nossos “chaskis”, os porters ou em Português os carregadores, que nos levam o indispensável para a montanha..literalmente às costas.

    Depois de termos todo o grupo pronto, 8 pessoas, a carrinha seguiu em direção a Ollantaytambo, a primeira de 4 cidades situadas no “Vale sagrado”, em pleno início do caminho Inca.
    Foi uma curta paragem na cidade para esticar as pernas, seguiram-se então 45 minutos em terra batida (a estrada alcatroada estava cortada) até chegarmos ao início do caminho Inca do nosso trekking, situado mais precisamente ao quilómetro 82, em Piskacucho. Passámos pelo checkpoint, onde temos de mostrar o passaporte e iniciámos a caminhada ao atravessar a ponte do Rio Urubamba. Foi uma sensação brutal, um sonho de sempre a começar a ser  realizado, caminhar 4 dias em direção a Machu Picchu :) Atenção que apenas 400 trekkers podem fazer este caminho diariamente, aí termos comprado a licença vários meses antes…

    O caminho Inca na verdade sáo vários, construidos pela civilização Inca e cortavam as montanhas, vales e planaltos da região de Cusco em volta de Machhu Picchu. Foram construidos à mão, pedra a pedra… há história em cada passo neste trilho histórico. Ora vejam…

    20150315 - Inka Trek dia 1

    As primeiras 2 horas da caminhada foram tranquilas, em terreno simples e a 2700m de altura, com o rio à nossa direita, e rapidamente e super otimistas com o bom tempo, demos com a primeira ruína Inca, Patallacta, usada como checkpoint para o caminho para Machu Picchu, ou seja, ponto de controlo e de segurança. Foi um primeiro cheirinho daquilo que nos esperava dai para a frente.

    Seguimos para mais 2 horas de um trekking simples até ao primeiro almoço na montanha. Não sabíamos o que esperar, mas na verdade no local tínhamos uma tenda montada, com uma mesa, pratos, copos, talheres, colchões estendidos, e um almoço de rei logo assim para começar, tudo preparado pelos nossos porters… Incrível! Nunca pensámos nós naquele repasto… Truta, vegetais, batatas assadas, banana frita.. e tudo a saber maravilhosamente bem! Os carregadores chegaram antes de nós e tinham tudo preparado, foi um momento fantástico.

    Seguiu-se ao almoço uma bela sesta antes de seguirmos em frente até ao lugar onde dormiríamos a primeira noite na montanha! O caminho continuou muito bonito no início do vale, mas por vezes quente demais, e quando se sobe com calor tudo fica mais difícil, e acabamos por queimar um pouco todas as partes da nossa pele onde não chegou o protetor… Eu que o diga que fiquei  logo com bronze à camionista!

    20150315 - Inka Trek dia 1-3

    Chegámos ao lugar do acampamento, já algumas expedições similares estavam no mesmo lugar, mas o nosso espaço estava bem delimitado. Há noite e depois do jantar (Mais um repasto!!) os vários porters foram-se apresentando um a um é claro que desde aí me comecei a meter logo com eles.

    Extraordinárias pessoas, entre os 21 e os 52 anos, todos agricultores e que sempre que podem se aventuram na montanha para ganhar uns trocos extra para as suas famílias. Foi um momento simpático, em que conheci o grande cozinheiro responsável por todos os pitéus diários, o Leonardo! É incrível a organização destas máquinas da montanha. Saem depois de nós, ultrapassam-nos a meio do caminho completamente carregados e quando chegamos temos 8 tendas montadas, pequeno-almoço, almoço e jantar completamente novo e fresco, toda a louça lavada…tudo arrumado, colchões cheios…É impressionante, são mesmo os maiores! RESPECT!

    20150315 - Inka Trek dia 1-2

    Amanhã há mais, o dia mais difícil desta caminhada espera-nos, hoje foram “apenas” 08h e 37 minutos desde que saímos do checkpoint até chegarmos ao acampamento final!

    Bjs e abraços,
    Luís M.

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  • Cusco Inca e Colonial

    Olá a todos,

    Hoje acordámos infelizmente com dores de cabeça mesmo apesar de nos estarmos a sentir melhor, no entanto, e como tínhamos este dia inteiro em Cusco resolvemos ir tentar conhecer 3 lugares Inca perto da cidade. Estes três lugares fazem parte de um pacote turístico base chamado “City Tour”, mas como normal, não nos metemos nesses pacotes… preferimos ir nós e ver as coisas ao nosso ritmo e passo, sem ter de levar com algum grupo de 30 chineses por azar!

    O plano era ir a pé, mas o primeiro lugar ficava a 2 km da praça central, mas sempre a subir, e depois das primeiras 10 escadas, a Marisa começou a sentir a cabeça com uma dor muito forte, ou seja, não estávamos ainda aclimatados para fazer esforço físico… Por sorte naquele lanço de escadas estava um restaurante fechado, com uma pessoa a lavar o chão lá dentro. Bati à porta, ela chamou o dono (Luciano), que ao perceber que precisávamos de um sítio para recuperar abriu a porta, preparou-nos um chá de coca, sentou-se ao nosso lado a falar connosco a ajudar a resolver aquela situação. Que simpatia, amabilidade… Ajudou-nos a definir o plano de ataque para podermos ver os lugares Incas sem grande esforço físico e foi connosco até à rua procurar um táxi, falar com ele e conseguir-nos o melhor preço para que ao invés de subirmos a pé, ele nos levasse até ao último local, e depois descessemos a pé, cujo esforço seria bem menor.

    Assim foi, seguimos para Tambomachay onde vimos um templo Inca da água. Simples, bonito e calmo! Incrível é que até hoje os cientistas não sabem de onde provém a água que ainda hoje corre. Se de um glaciar a uns 20 kms de distância, se de uma nascente, se do subsolo. Ela corre sempre ao mesmo caudal. Quando uma senhora na rua de acesso ao templo e que estava a vender tecidos na rua se apercebeu que a Marisa ainda não estava perfeita da dor de cabeça, no regresso ela já tinha para nós umas ervas, espécie de menta, para mascar, que teoricamente ajudavam e sem querer nada em troca… Este povo é muito bom :)

    20150313 e 14 - Cusco3
    500 metros ao lado, outra construção Inca, desta feita de nome Pukapukara, um antigo checkpoint militar, a 3700 m de altura com uma grande vista para todo o vale, e que era uam estrutura militar e um ponto de passagem de caçadores pois existiam algumas construções de pequeno armazéns ali perto.

    20150313 e 14 - Cusco4
    Apanhámos um autocarro na estrada principal, que nos deixou 4 km abaixo num lugar chamado Q’Enqo, um lugar pequeno mas muito estranho, dado ter sido completamente escavado nas rochas, com vários Zig Zags, e que vão dar a uma parte principal central, usada para cerimónias Inca. Mais uma vez, este lugar está especialmente colocado com uma vista priveligiada sobre Cusco! O trabalho para esculpir aquilo tudo diretamente na rocha é de loucos…

    20150313 e 14 - Cusco5
    Para terminar em beleza, Sacsayukan, uma brutalissima fortaleza ainda muito bem preservada, palco de vários confrontos entre Incas e Espanhóis, e que foi muitas vezes o último reduto de defesa dos Incas, apesar de não o suficiente. É uma estrutura enorme, com milhares de rochas trazidas de vários lugares, construídas de forma antisísmica. O que vemos hoje são 20% daquilo que existiria… É que na ocupação colonial, grande parte da fortaleza foi levada para Cusco, pois as pedras eram ótimas para as novas casas. Por outo lado, não levaram as maiores… há pedras com 300 Toneladas! Arrastem lá isso!!!

    20150313 e 14 - Cusco6
    Algum tempo depois e no pico do calor, lá descemos a pé por entre aquelas ruelas a pique de Cusco, e conseguimos tirar fotografias de um ângulo diferente de Cusco, aqui esta uma das que gostámos mais.

    IMG_cusco final

    Durante a tarde deambulámos pela parte religiosa da cidade, vimos a monstruosa catedral de Cusco (Não permitem fotografias), e pelas 18h fomos ao briefing da Alpaca Expeditions conhecer o nosso guia e obter todas as informações sobre os próximos dias, dedicados a uma caminhada de 45 km entre os vales sagrados de Cusco e a trilha Inca.

    A ver vamos se nos aclimatamos à altitude finalmente que isto até hoje não foi fácil!

    Bjs e abraços,

    Luís M.

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  • Cusco é lindo porra!

    Olá a todos,

    Depois de chegarmos a Lima de autocarro a partir de Nasca às 06 da manhã (fizemos a viagem de noite), seguimos diretamente para o aeroporto onde apanhamos um voo para Cusco, a histórica capital da civilização Inca.

    Aterrámos, chegamos ao hotel e rapidamente a minha cabeça começou a doer… Em poucos minutos, a da Marisa também, e 2 horas passadas parecíamos meio grogues com a altitude… Resultado, benurons no bucho, é que subir um lanço de escadas era um desafio!! Como recomendável para quem chega, não fazer esforços, beber muita muita água, tomar paracetamol e acalmar são as receitas para uma aclimatação mais fácil e rápida à altitude de Cusco. Afinal estávamos a 3300m de altura situados num vale/planalto incrível onde o nível de oxigénio está longe daquele a que estamos habituados.

    Sendo assim, fizemos apenas uma incursão simples e rápida nesse dia pela cidade mas ficámos desde logo apaixonados… Segura, um centro histórico maravilhoso, com influências Incas e coloniais Espanholas, pessoas simpatiquíssimas, restaurantes, ruínas, muita história, enfim, uma maravilha para quem tinha vindo de Paracas/Nasca, puro deserto, e chega aqui a ver imenso verde !

    20150313 e 14 - Cusco1

    A praça central, “Plaza de Armas”, é brutal, as montanhas em pano de fundo, as ruas todas em pedra e os trekkers que se juntam nos restaurantes, bares e ruas dão um ar rústico a todo o centro. Fomos então ao mercado de rua e ficámos malucos com as centenas de vendedores ambulantes a venderem os seus produtos, maioritariamente agrícolas… As imagens, o som e especialmente o cheiro chocam-nos (positiva e negativamente) e confesso que nos deixaram completamente fascinados…

    Adoro mercados, a minha mãe ensinou-me a gostar deles e sempre me disse que se quisermos conhecer uma cidade, temos de ir ao mercado local, e eu acho que ela tem toda a razão!

    20150313 e 14 - Cusco2

    Perdemo-nos muito mais nas ruas e ruelas de Cusco, passeámos entre igrejas e praças, jantámos e aguentámos até não podermos mais, e lá fomos dormir com uma bruta dor de cabeça e mais benurons… Amanhã seria mais um dia para nos aclimatarmos à altitude antes da caminhada de 4 dias nos vales e montanhas da região de Cusco rumo a Machu Picchu!

    Bjs e abraços,
    Luís M.

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  • As linhas de Nasca

    Olá a todos,

    Após uma negociata em Paracas com um simpático rapaz dono de uma empresa turística, decidimos que não deveríamos ficar em Paracas mais tempo, e seguir para Nasca logo no dia a seguir de manhã a tempo de apanharmos um voo matinal e vermos uma das coisas mais extraordinárias e inexplicáveis do mundo, já património mundial, as “Nasca Lines”. O nosso condutor do dia a seguir seria então o pequeno Joaquín, que nos iria levar no seu carro bem cedo para Nasca!

    Para quem não sabe, as linhas de Nasca são representações de figuras criadas no chão pela civilização Nasca entre 400 e 650 AD e visíveis mais facilmente do ar ou de algum lugar muito alto e que dê a perspectiva suficiente para se poderem compreender. São centenas de linhas que foram feitas através do louco trabalho no meio do deserto, feitas através da remoção da superfície da terra, e raspando o chão até se obter uma coloração mais clara da terra, formando assim as linhas e as figuras. Estamos a falar de cerca de 10 a 30 cm de profundidade para cada linha.

    Foram estudadas anos a fio, e ainda sem uma explicação válida e devidamente acordada entre os cientistas… Há figuras com mais de 200 metros de comprimento, é algo simplesmente impressionante… Deuses, cursos de água, extra-terrestres, constelações… há de tudo um pouco, mas o que mantem as linhas vivas é um ecossistema incrível em que a falta de chuva ajuda a preservar .

    Pelas 7 da manhá lá saímos, e qual rally Dakar… Joaquim no seu veículo estava nas suas 7 quintas… Panamericana abaixo, lá fomos nós, entre carros, camiões, taxis e duplos traços contínuos!

    Parámos nu Oásis do deserto mais conhecido no Perú, Huakachina, muito pequenino mas competamente completamente fora do comum, tirámos umas fotos, e seguimos para Sul passando ainda por pequenos milagres verdes no meio do deserto, especialmente laranjas, mangas, uvas e vegetais.

    IMG_8202

    O aeródromo é dedicado a voos para ver as Nasca Lines. Fomos com a Aeroparacas, excelente serviço e simpatia, 5 passageiros, um piloto e no nosso caso uma co-pilota. São 35 minutos onde fazemos uma rota para ver as figuras mais conhecidas. Não é um voo fácil para quem enjoa, aliás, pode-se tonar bem difícil pois o avião dá várias voltas e fica a 45 graus muitas vezes, mas no meio da adrenalina tudo passa, e conseguimos ver todas as figuras… É arrepiante, estranho, diferente e muito interessante para quem como nós entende que o impacto de algo feito há centenas de anos atrás ainda se encontrar tão real e próximo, e ser inexplicável, é brutal.

    20150312 - Nasca

    Deixo-vos com algumas imagens tiradas por mim do avião, digam lá se não é bizarro, lindo e brutalmente interessante ao mesmo tempo…

    A aranha

    aranha

    O astronauta

    astronauta

    A baleia

    baleia

    O colibri

    colibri

    O macaco

    macaco

    A árvore e as mãos

    maos e arvore

    Os triângulos

    triangulos

    Amanhã, Cusco, a 3400m de altitude…a capital INCA…Nasca, foi inesquecível!

    Bjs e abraços,

    Luís M.

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  • Paracas – La banhada!

    Olá a todos,

    Uma viagem por mais planeada que seja tem imprevistos, coisas que correm melhor e outras que correm pior. A nossa não foi exceção. Ora leiam…

    Quando decidimos ir até Paracas, uma localidade turística no litoral a Sul de Lima, seria porque queríamos disfrutar de um ou dois dias de Sol, praia e bom descanso, e segundo todos os guias possíveis e imaginários, lá conseguiriamos isso.

    Saímos de táxi pelas 06:30 da manhã do nosso Bed and Breakfast, e apanhámos um autocarro ali na estação mais próxima em direção a Paracas. Eram 07:30 quando o autocarro saiu, estávamos bem instalados, e rapidamente à saída de Lima nos apercebemos do monumental caos de trânsito que é todos os dias a entrada na cidade. A fazer lembrar as ruas de Nova Deli, com buzinadelas a cada 2 segundos, e tudo completamente entupido, mas tudo!! Por sorte estávamos em sentido contrário, e lá apanhámos a PanAmericana, a mais comprida estrada do mundo, que corre desde a América do Norte até ao fundo da América do Sul. A estrada que fizémos fica perto do mar, no entanto, toda ela corre ao longo de um deserto cinzento, inóspito e bem desolador. Ora vejam…

    YouTube Preview Image

    De Lima até Paracas, são cerca de 4 horas de autocarro, e ao longo deste deserto passámos por várias localidades que maiores ou mais pequenas, são digamos, pobres. 90% das casas não estão pintadas e são feitas clandestinamente, entre tijolos, barro, sem telhado, e completamente no meio da poeira do deserto. Começamos a habituar-nos rapidamente a esta situação, mas a América do Sul tem destas coisas o que acaba por fazer mossa na “nossa realidade”.

    E como é que no meio do deserto estas pessoas vivem ? Fazem o quê ali ? A resposta é estranhamente difícil de perceber, mas vivem da agricultura… É que por baixo do deserto há poços de água, e com essa água irrigam terrenos para conseguirem produzir essencialmente fruta, vegetais. Há também toneladas de espaço para a criação de galinhas por exemplo, os pollos!  Junto à Panamericana os terrenos são todos privados, e quando não são privados, constroem-se espécies de palheiros individuais nos terrenos públicos, na esperança de se conseguirem reclamar essas terras mais tarde.

    Chegámos a Paracas, no meio daquele deserto, uma pequena vila, igual a tantas outras, mas inserida numa baía entre resorts de luxo, com uma frente de praia bem feiosa, com areia negra, e uma água que não é própria para banhos dada a sujidade e a possibilidade de termos contacto com medusas…! O paraíso como devem imaginar!  A cidade vive para o turismo, com vários restaurantes junto ao mar, mas é uma cidade suja, com montes de cães vadios que literalmente cagam na praia, o que não dá muita vontade para nos deitarmos, lol!

    No entanto, a estrela de Paracas é a reserva Natural de Paracas, que supostamente tem já algumas praias de água límpida e transparente, mas que para irmos lá ter precisamos de um táxi que nos leva uns bons Euros e nos espera 2 horas depois, ou seja, uma bela rapidinha de praia!! Para além disso, há umas ilhas com pinguins e leões marinhos por perto, chamadas Islas Ballestas. Como chegámos tarde, ficámo-nos pela cidade, com o sentimento que no dia a seguir nos deveríamos pirar para Sul, rumo a Nasca para vermos as famosas Nasca Lines.

    20150311 - Paracas1

    O que correu melhor: O jantarinho no “Il Covo”, de longe o melhor restaurante em Paracas que adorámos e que se destaca a léguas na cidade e o fato das pessoas serem super simpáticas e prestáveis, mas isso é mais uma vez típico do Peru. Ah, e a cerveja era muito boa!

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    O que correu pior: Ter sido atacado por um bicharoco qualquer de noite que me comeu 2 braços, o peito e as costas… que grande banquete… sangue tuga…  Fez-me uma bruta alergia que ainda hoje tenho o braço dorido, mas está tudo bem!! O acordar em Paracas, parecia um filme de guerra!! Ora vejam…

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    Algumas imagens para recordar

    20150311 - Paracas

    Amanhã, Nasca, toca a fugir de Paracas!!!! Irra! Que fiquem lá os que pagam 250€ por uma noite no resort de luxo que tem uma bela piscina mas que tem uma placa que diz, praia não! Paracas pode ser espetacular lá na reserva (que continua a ser deserto), mas dado termos chegado tarde já não conseguimos ver nada de jeito… no entanto, não nos convenceu, venha o próximo destino.

    PS: Os vídeos poderão demorar uns minutos ainda a ficar online!

    Bjs e abraços,

    Luís M.

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  • Lima histórica

    Olá a todos!

    Hoje acordámos recuperados, não só do jet lag, mas também do primeiro estafante dia que tivemos. Depois de mais um maravilhoso pequeno almoço servido na “Casa Nuestra” cheio de fruta, pelas 10h apanhámos um express bus que nos levaria diretamente ao Centro de Lima. Chama-se express pois tem mesmo uma faixa dedicada e isolada do resto da estrada, e ainda bem, pois o trânsito em Lima é verdadeiramente infernal. Entrar e sair da cidade acaba por não ser nada trivial, é que as avenidas de acesso são pequenas, 2 a 3 faixas no máximo, e o número de carros é massivo.

    20150310 - Central Lima

    Chegámos à Estação Central de Lima, fizemos um pit-stop no Starbucks e seguimos sempre a pé até ao Centro Histórico. Plaza San Martin, Plaza de Armas, a Catedral de Lima, Igreja de Santo Domingo, a Câmara Municipal, Palácio do Governo, está tudo concentrado no centro e faz lembrar as ruas centrais de Santiago do Chile. Sentimo-nos bem com a câmara fotogáfica em riste a maior parte do tempo, e não tivemos qualquer sentimento de insegurança. Como em qualquer viagem há que ter cuidado e ser preventivo, esta não é exceção, mas sinceramente, “todo bien en Lima”! As ruas para as compras são enormes, andamos em várias ruas pedonais, cheias de comércio tradicional, destacando-se os sapatos, telemóveis, pequenos casinos e o que há mais aqui…cafés, botecos, tascas, restaurantes e vendedores ambulantes, muitos… a cidade gira em torno da comida!

    Foi então que num rasgo de WIFI, passei pelo Trip Advisor onde vi que a “Casa Aliaga”, uma antiga casa de um millitar, braço direito do fundador de Lima (Ferrano), seria um dos “tops” da área. Como estávamos perto, passámos lá, e de facto é uma casa que dura há 16 gerações de uma família antiquíssima de Lima, que ainda hoje perdura e que é riquíssima em mármore, madeira, arte e mobiliário Europeu, bem ali no meio de Lima. Confesso que não foi assim brutal…lol! Foi assim mais uma bela banhada, o que deu asas à minha senhora para gozar comigo até ao infinito!!! Um tipo vem ao Peru e mete-se 30 minutos dentro de uma casa de uma família podre de rica que se divertia a trazer da Europa todo o tipo de artefactos, amontoando-os na sua casa sem qualquer ordem aparente… :)

    20150310 - Central Lima1

    Por trás do Palácio do Governo está um pequeno jardim com vista para aquilo que devia ser uma espécie de rio, mas que estava completamente “em obras”, e ao fundo um monte completamente coberto com várias favelas a fazer lembrar que apesar das ruas e dos shoppings de Miraflores, a vida por cá é muito mais do que condomínios com vista para o Oceano Pacífico.

    20150310 - Central Lima2

    Resolvemos no final ir até ao Museu Larco, um museu privado pois às segundas tudo o resto está fechado, e no maravilhoso mapa que tínhamos ele parecia poder estar relativamente perto, mas não era fácil de perceber… A Marisa, cheia de força diz, bora, vamos a pé! Parece perto, e a sra das informações disse-nos 45 minutos a pé, antes de nos ter dito, vão de autocarro ou de táxi!…

    Seguimos em frente, a avenida era enorme, mas quando dizemos enorme, eram tipo umas 5 avenidas da liberdade juntas ao comprido… Perguntámos a 1 Peruano onde ficava…não sabia, perguntámos a outro, não sabia…e assim continuámos até percebermos que ninguém saberia nem ler um mapa, nem onde ficaria o tão famigerado museu ou a rua que supostamente ia dar a ele! Ao fim de algum tempo, um senhor diz-nos, ui…. isso só de carro…. Já tínhamos andado uns bons 45 minutos na altura por entre dezenas de vendedores ambulantes.

    Fizemos sinal a um táxi, (no Perú os táxis negoceiam-se antes de entrar no carro), mas ninguém nos aceitava levar lá… Não entendia o porquê, até ao instante em que olhei de novo para o mapa, e percebi que estava a negociar a ida para uma região fora de Lima, ou seja, o nome errado do museu!!!! Rimo-nos, e lá partimos finalmente na direção certa. Chegámos ao museu meia hora depois de uma experiência daquelas “diferentes” num táxi que tinha todas as luzes do tablier acesas. Nunca na vida lá chegaríamos a pé, ate porque a morada no mapa estava claramente incorreta!!!

    O museu Larco é por outro lado muito bom, com centenas de objectos que vão de há 4000 anos antes de Cristo, passando pelas civilizações mais recentes, e claro, a cvilização Inca, bem como o confronto que houve quando os primeiros Europeus chegaram lá e se depararam com o existente. Vale bem a pena.

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    A noite terminou a comer um fast food Peruano (sandwiche) de volta a Baranco, estoirados de tanto termos andado, mas contentes pela experiência. O povo Peruano continua simpático, prestável, e mesmo sem saberem ler mapas ou dar indicações, vão tentando!

    Bjs e abraços,

    Luís M.

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